domingo, 24 de abril de 2011

Romanos 4- Comentário de Luís Sayão no Rota 66

Romanos 4
Conselhos de fé do pai Abraão. A fé só tem importância quando focado na pessoa certa.

Todos estão debaixo da condenação porque não tem justiça para apresentar a Deus.
Antigamente éramos justificados pela lei? O ponto de partida do povo de Israel era Abraão, que recebeu justiça na sua vida.  "Se foi justificado pelas obras, ele tem do que se gloriar." Abraão creu em Deus e isso lhe foi creditado por justiça.  Paulo cita Gn 15.6. Abraão não recebeu justificação por suas obras, mas porque creu em Deus. Davi concorda com Abraão, falando da felicidade do homem no Salmo 32(como é feliz aquele a que o Senhor  não atribui culpa). A fé lhe foi creditada como justiça.
Quais são os grandes motivos de orgulho dos religiosos? Circuncisão e lei.
Qual dos dois Abraão manifestou na sua vida? Como ele foi declarado justo?
Antes da circuncisão ele foi creditado com justiça.
A circuncisão foi um sinal concreto da justiça atribuída pela fé.
Não foi mediante a lei que Abraão recebeu a promessa. Onde não há lei, não há transgressão.
A lei foi dada muito depois de Abraão. Mesmo assim ele foi declarado justo, que não recebeu justiça nem  mediante a circuncisão nem mediante a lei.
Em esperança creu, tornando-se pai de muitas nações, sem se enfraquecer na fé.
Estando plenamente convencido de que Ele é poderoso. A questão da justiça não é novidade.
Abraão teve justiça porque creu em Deus e teve a sua fé firme, que é o que acontece com Jesus Cristo.
A justiça de Deus não procede das obras, do mérito humano, da obediência  à lei. Gentios e judeus não tem justiça.
Abraão creu na promessa salvadora da parte de Deus. Um justo de verdade através do seu principio de fé. Nenhum outro principio que atribui glória ao ser humano pode ser usado como principio de salvação.
Ninguém será salvo por igreja, por instituição, por obras ou por mérito. A salvação se dá por meio de Jesus Cristo. Quando depositamos a fé em Cristo somos declarados justo diante Deus.

Por que as pessoas duvidam tanto dos personagens do antigo testamento? Abraão existiu mesmo?
Existem muitas lacunas sobre documentação de personagens da história grega e romano. Não há referência ao nome de Abraão fora da Bíblia, porém não há motivo para questionar a escritura.
Existe uma postura de discriminação contra o cristianismo. Não há dúvida de que Abraão é uma realidade. Creia no Novo Testamento.

Que pecados teriam cometido Abraão e Davi no v. 7?
A Bíblia mostra que todos pecaram. Inclusive Abraão e Davi.
A justiça não é baseada nas suas obras, mas na fé em Deus. O único herói da Bíblia é o próprio Deus.

Justificação e salvação são pela fé. O que quer dizer isso?
Não é possível que pudéssemos salvas a nós mesmos. A condição humana não permite isso.
Muitos acreditam que a salvação vem pela prática da caridade, porém a maior parte das pessoas que pensam assim é que tem dinheiro. Aqueles que não tem dinheiro fica em desvantagem. Pensamento elitista.
Se a salvação viesse pelo conhecimento, só os intelectuais seriam salvos.
Se a salvação viessem pelas obras comuns os idosos, crianças e deficientes não alcançariam.
O princípio geral é o princípio da fé. Até mesmo uma criança entende.
Ninguém pode ter orgulho próprio. Devemos entender que não temos capacidade para salvação.
Quando a pessoa tem fé, caminha na direção correta.
Não seja orgulhoso, reconheça os seus problemas, aceite a sua necessidade e creia em Jesus para a salvação.

Aplicação
A justificação não veio da circuncisão e nem da lei, mas da fé.
Precisamos assumir  a realidade. Temos necessidade de ajuda.
As pessoas fogem da realidade de que precisam de ajuda. Nossa sociedade é a sociedade do entretenimento. É a sociedade da alienação.
Precisamos reacender a nossa esperança em Deus. Assim como um jogador que acredita na jogada e se lança atrás da bola. Precisamos desenvolver nossa fé e crer em Deus. A salvação, a justificação e a cura para nossa enfermidade existe. Precisamos crer em Deus.


domingo, 3 de abril de 2011

APRENDER - (William Shakespeare)



Depois de algum tempo você aprende a diferença, 
A sutil diferença entre dar uma mão e acorrentar uma alma, 
E você aprende que amar não é apoiar-se 
E que companhia nem sempre significa segurança, 
E começa aprender que beijos não são contratos, 
E presentes não são promessas. 

E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, 
Com a graça de um adulto, e não com a tristeza de uma criança 
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, 
Porque o terreno de amanhã é incerto demais para os planos, 
E o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. 

Aprende que falar pode curar dores emocionais 
Descobre que se leva anos para construir uma confiança 
E apenas segundos para destruí-la. 
E que você pode fazer coisas em um instante, 
Das quais se arrependerá pelo resto de sua vida. 

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer 
Mesmo a longa distância, 
E o que importa não é o que você tem na vida, 
Mas quem você tem na vida. 
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. 

Aprende que não temos que mudar de amigos 
Se compreendermos que os amigos mudam, 
Percebe que o seu melhor amigo e você 
Podem fazer qualquer coisa ou nada 
E terem bons momentos juntos. 

Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que o ame 
Não significa que esse alguém não o ame com tudo que pode 
Pois existem pessoas que nos amam 
Mas simplesmente não sabe como demonstrar ou viver com isso. 

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém 
Algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo 
Aprende que com mesma severidade com que você julga 
Você será em algum momento condenado. 

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, 
O mundo não pára para que você o conserte, 
Aprende que tempo é algo que não pode voltar para trás, 
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, 
Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. 

E você aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte, 
E que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. 
E que a vida realmente tem valor, 
E que você tem valor diante da vida. 
E você finalmente aprende que nossas dúvidas são traidoras 
E nos faz perder o bem que poderíamos conquistar, 
Se não fosse o medo de tentar... 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Distribuição Sopão no dia 4 de Dezembro de 2010.


Parceria da Igreja Batista Nacional do Vicente Fialho e JOCUM, com a colaboração da membros das Igrejas Batista Nacional do Bom Milagre, Presbiteriana Independente do Vicente Fialho e Presbiteriana de Vinhais.

Mt 25:35-40
"Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes;
estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me.
Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber?
E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos?
E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar?
O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes."


Ônibus de JOCUM


Pastor Edvaldo, Missionário de JOCUM


Parando no Mercado Central e preparando para distribuição do Sopão



Jovens reunidos...


...dispostos à fazer toda boa obra...


...para cumprir o chamado do Mestre.

Equipe de distribuição do Sopão.

Nosso alvo...

Testemunhando de Cristo...

 Falando do Amor do Pai...




Alimentando...

 Agasalhando...




Orando por Salvação, Cura e Libertação...






A Igreja reunida em Oração!

Senhor, fortalece a tua Igreja!
Nos envia a pregar as boas novas e ir de encontro às necessidades do próximo.
Dá ânimo à tua Igreja!





sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Entrevista com a nova direção do grupo "O Caminho"

No dia 2 de Dezembro de 2010 o BLOG ANDARILHO entrevistou os integrantes e responsáveis pela organização do grupo “O Caminho” no curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão.
Conversamos com o Joás da Igreja Assembléia de Deus, Társila da Igreja Batista Nacional do Bequimão, Carlos da Igreja Batista Plenitude e Douglas da Igreja Assembléia de Deus, todos cursando o 5° Período de Medicina na Universidade Federal do Maranhão.
Joás, quem é o Grupo “O Caminho” e qual o propósito deste grupo?
                “Nós somos um grupo formado por universitários que tem um compromisso com a Palavra de Deus, sendo portanto, um grupo cristão interdenominacional. Estamos aqui para levar a palavra de Deus, torná-Lo conhecido dentro da faculdade de Medicina da UFMA.”
Társila, quais as dificuldades encontradas pelo grupo “O Caminho”, para alcançar esse propósito colocado pelo Joás?
                “As maiores dificuldades são relacionadas ao tempo, uma vez que o curso exige muito de nós e muitas vezes temos que abrir mão desse tempo para freqüentar as reuniões. Procuramos usar uma linguagem jovem, uma vez que lidamos com jovens que estão no auge de suas vidas e não pensam muito em compromisso com Deus.
Carlos, está terminando o ano de 2010 e vocês estão assumindo o grupo “O Caminho”, já entrando pelo ano de 2011. Gostaria de saber quais as expectativas do grupo para o ano de 2011?
                “Para esse ano pretendemos promover a maior integração do grupo, com momentos de comunhão a fim de que cresçamos juntos nos conhecendo e em conhecimento de Cristo. Como já havíamos planejado, vamos fazer grupos de oração que estarão responsáveis por uma determinada semana, em que estaremos recolhendo os pedidos de várias pessoas. Pretendemos a cada mês trazer novas músicas para o grupo, com as letras a fim de que tanto os integrantes quanto os visitantes possam participar desse momento de louvor. Pretendemos alcançar novas vidas para o Senhor, não apenas nos hospitais, mas também nas praças, na praia e em todas as faixas etárias. Pretendemos levar a Palavra no Hospital Aldenora Belo, através de louvores, brincadeiras, peças. Acho que também que ainda no ano de 2010 muitas coisas irão acontecer e ainda, momentos de comunhão.”
Douglas, quais as estratégias do grupo para alcançar outras vidas dentro do curso?
                “A principal estratégia sempre foi e ainda é, a pregação da Palavra, porque sabemos que sem pregação não há conversão. Outras estratégias podem ser utilizadas, como louvores. É muito interessante alegrar as pessoas que se encontram desanimadas. Pregar a Palavra de uma maneira fácil. Muitos não conhecem a Palavra de Deus. Vamos distribuir folhetos, fazer dinâmicas, entregar, folhetos e bíblias.”
Agradecemos aos integrantes do Grupo e até a próxima entrevista!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Agressores são condenados a três anos de prisão



 
ÍNDIA (26º) - Um tribunal de autorizações prévias de Orissa expediu um mandado de 3 anos de prisão severa contra quatorze acusados de participação de motins em 2008 no Kandhamal.

O juiz da 2ª Vara de Justiça de Phulbani emitiu ordem de prisão contra sete acusados de incendiarem casas de cristãos na vila de Budamaha, Raikia. A cada condenado impôs-se também uma pena de 4.500 rupias indianas.

Em um caso similar de incêndio premeditado, outras sete pessoas foram condenadas a 3 anos de prisão, e receberam uma pena de 6.500 rupias indianas pelo incêndio de casas num vilarejo de Sindherigaon.

Enquanto isso, num caso de assassinato, o tribunal absolveu 31 pessoas ao passo que outras duas foram condenadas a seis anos de prisão.

As duas participaram de um motim contra três vilas, incendiando centenas de casas de cristãos. Em 30 de setembro, uma multidão atacou e matou Ramamani Naik e Lalaji Naik da vila de Rudangia.

Incidentalmente, entre os absolvidos estava Manoj Pradhan, que tinha mais de 14 acusações por envolvimento em motins.

A notícia das absolvições deixou os cristãos chocados, pois resultaram de intimidação e coersão.

Os cristãos perderam a confiança na polícia e autoridades locais. Eles andam de mãos dadas com os agressores, declarou o bispo Ajay Singh, que fez parte de uma missão investigativa.

Tradução: Fabiane Fagundes Schütz

Acesso: 
http://www.portasabertas.org.br/noticias/noticia.asp?ID=6716

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A Natureza da Igreja

Repensando nossa funcionalidade eclesiástica
Ronaldo Lidório

Ao refletir sobre a natureza da Igreja nos confrontamos imediatamente com algumas claras limitações. A primeira seria uma limitação sociológica, na medida de que todos nós, de alguma forma, temos sido influenciados por 2 fatores construtores da presente sociedade, o hedonismo e o narcisismo. Junto a alguns outros, os tenho chamado de elementos da anti-missão. Isto devido a capacidade que eles tem de postar o homem, e consequentemente a Igreja, no centro do universo, em nosso imaginário. Nos tornarmos, aos nossos próprios olhos, os atores principais do evento histórico.
É natural entender, portanto, que enquanto influenciados por esta limitação sociológica, teremos bastante dificuldade de conceber uma Igreja que seja chamada para servir a Deus com toda a sua alma, suas energias, seu dinheiro e seu tempo. Ao contrário, tal limitação lança-nos a consequências puramente humanistas, como o triunfalismo e ufanismo, e desemboca no orgulho, raiz de grandes males.
O hedonismo é esta tendência humana sociocultural, e teologicamente carnal, que nos leva a crer que existimos para nossa própria realização. Que nossa alegria e felicidade pessoal são os bens mais preciosos, pelo qual vale a pena tudo. Que para nos realizarmos podemos, e devemos, romper com quaisquer valores, religiosos ou sociais, passando por cima da Palavra, da família, do ministério e do relacionamento com o Pai.
A sociedade e seus meios de comunicação, as escolas e os púlpitos de muitas de nossas igrejas se tornaram hedônicos. Vivemos para nós mesmos, pensamos em nós mesmos, investimos em nós mesmos, teologizamos para nós mesmos e, consequentemente, não servimos ao Cordeiro Jesus, mas sim a nós mesmos.
Ainda parte desta limitação sociológica, há outro fenômeno que aqui podemos chamar de narcisismo. É o desejo - e desenfreada busca – pela beleza pessoal e público reconhecimento da mesma. Não basta estar no centro das atenções, é necessário que todos saibam disto. O narcisismo é este elemento da anti-missão que faz com que nós trabalhemos e nos esforcemos para o Senhor e Sua obra, desde que sejamos reconhecidos pelos nossos pares, aplaudidos, elevados em pedestais.
Tanto o hedonismo quanto o narcisismo corrompem não apenas a alma humana, sua integridade e santidade, mas também sua motivação. Há, portanto, muitas igrejas, pastores, líderes e missionários fazendo a coisa certa pela motivação errada.
É necessário neste momento, percebermos, que o desejo do Senhor revelado em toda a Sua Escritura não é formar um povo-escravo para o serviço, nem mesmo um centro qualificado de produção, mas discípulos que o amam, que sejam apaixonados por Seus projetos, e que o sigam. O desejo de Deus não é tão somente nos tornar funcionais, mas santos; não apenas nos tornar produtivos, mas íntegros; não apenas nos tornar servos, mas filhos.
A segunda limitação que temos ao refletir sobre a Igreja e sua natureza é uma limitação teológica, e me refiro aqui à teologia do serviço, ou teologia da missão. A maneira como nós compreendemos o nosso papel no Reino, e nos posicionamos em relação a ele. Para conversarmos sobre esta limitação leiamos o texto que se encontra em Atos 2: 37 a 47

37
Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?
38
Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.
39
Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar.
40
Com muitas outras palavras deu testemunho e exortava-os, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.
41
Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas.
42
E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
43
Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos.
44
Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum.
45
Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.
46
Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração,
47
Louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.

Atos é um livro teocrático, uma vez que foi escrito para evidenciar que Deus está no controle de todas as coisas. Ele é apresentado aqui neste livro como o Senhor absoluto da história, de nossas vidas e da Sua Igreja. Jamais se surpreende, jamais se corrompe. Esta imutabilidade do caráter de Deus é a certeza de que somos salvos.
Atos é também um livro fidedigno por ter sido escrito de forma a nos mostrar que Deus cumpre todas as suas promessas. Inicia já no capítulo 2 com o cumprimento da promessa do Senhor Jesus de que enviaria o consolador, o parakletos que estaria com a Igreja para conduzi-la a Cristo. O Espírito Santo se manifesta, portanto, para a Igreja e a reveste de autoridade e poder para servir.
Atos 2 pinta o quadro desta Igreja chamada segundo o coração de Deus.
Perceberemos que ela é uma Igreja Koinônica (orientada pela comunhão dos santos); uma igreja Kerygmática (proclamadora do Nome acima de todo Nome); Martírica (que vive segundo aquilo que crê); Proséitica (que tem vida de oração); Escriturística (que ama e segue a Palavra); Diákona (com paixão pelo serviço); Poimênica (que pastoreia o seu povo); e por fim Litúrgica (cuja vida é a adoração do Pai).
Antes de adentrarmos estes desafios bíblicos para nossos corações, podemos nos lembrar da teologia de John Knox quando ele defende que a ponte entre o conhecimento e a transformação é o quebrantamento. Ou seja, muito pode entrar em nossa mente, convencer-nos de verdades bíblicas profundas, mas este conhecimento gerará vidas transformadas somente se houver verdadeiro quebrantamento em nossos corações. E nem quebrantar a nós mesmos nós podemos. Por isto dependemos de Deus. Podemos orar pedindo ao Senhor: quebranta o meu coração para que as verdades da Sua Palavra sejam fogo transformador em nossa alma.
KOINÔNICA – A IGREJA NASCIDA PARA AMAR E CONVIVER COM O DIFERENTE
O verso 44 nos diz que “todos os que creram estavam juntos, e tinham tudo em comum”. A expressão “comum” aqui é koinos de onde temos koinonia, ou “comunhão”. Manifesta que a Igreja neste período histórico pós pentecostes era uma Igreja Koinônica.
Não significa que a Igreja do primeiro século era homogênea. Ao contrário, eram extremamente distintos. Havia intelectuais e gente simples; judeus e gentios; jovens e velhos.
Koinos significa que eles se amavam na diversidade. Que estavam tão deslumbrados com o Senhor Jesus que eram capazes de conviver com o irmão mais diferente, e com ele ter comunhão, porque havia Um que os unia.
Indica que a razão maior da nossa desunião não é sociológica – a percepção do diferente e a intolerância com o mesmo – mas sim teológica, nossa própria carnalidade, desejo de sobressairmos, sobressair nosso pensamento, sobressair nossa denominação, sobressair nosso símbolo. Ao fim, o motivo maior da nossa desunião é espiritual, carência profunda de conhecermos mais a Cristo e sermos como Ele.
O texto diz que esta Igreja louvava de casa em casa e no templo. O templo era o centro do culto formal (aqueles que gostam dos hinos sacros tocados ao piano de caldas) e as casas representavam os ajuntamentos informais (a turma do violão e dos cânticos contemporâneos, digamos assim).
O verso 32 nos diz que era um só coração (kardia, sentimentos) e uma só alma (psiche, pensamentos).Durante o encontro do CONPLEI (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas) em 2008, houve uma cena cativante no último dia. Era a ceia do Senhor. Irmãos de 47 etnias distintas, além dos não indígenas de várias nacionalidades, como uma pequena multidão de 1.200 pessoas ao redor da mesa de Cristo. Alguns cantavam, outros oravam, alguns traduziam o que estava acontecendo para a língua da sua etnia, e a mensagem era claríssima. Era como se todos declarassem: “somos diferentes, mas amamos a Jesus”.
Divisões, partidarismo, esquemas de superioridade teológica ou prática no Corpo de Cristo sempre será um problema de ordem espiritual. É um reflexo, um triste sinal, de que não estamos deslumbrados com o Jesus ao ponto de sua simples presença ser o suficiente para encher nossos corações e amar profundamente os deslumbrados como nós.
KERYGMÁTICA E MARTÍRICA – A IGREJA NASCIDA PARA AMAR E PROCLAMAR JESUS
Nos versos 40 e 41, lemos que “com muitas palavras deu testemunho e exortava-os dizendo: salvai-vos desta geração perversa. Então, os que aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas”.
Há duas palavras que andam de mãos dadas no Novo Testamento. Observei este importante detalhe durante o período de trabalho na tradução do Novo Testamento para a língua Limonkpeln de Gana. São elas Kerygma, normalmente traduzida por pregação ou proclamação (aponta para a proclamação audível e inteligível da mensagem), e martyria, traduzida por testemunho (modo de vida).
Curiosamente sempre que uma delas aparece, a outra a acompanha, e isto em todo o Novo Testamento. Dá-nos, assim, a clara impressão de que na mente de Cristo Ele construía uma Igreja que pudesse proclamá-lo de forma audível e inteligível em todo o mundo, mas que ao mesmo tempo pudesse vivê-Lo.
O Apóstolo Paulo parece ter compreendido bem esta parte da natureza da Igreja. Ele tanto ensina o povo de Deus que deve falar de Cristo a tempo e fora de tempo como grita a plenos pulmões: já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.
O desejo de Cristo, portanto, é sermos uma Igreja que tenha fiel teologia e também vida devocional. Uma Igreja habilidosa mas também piedosa. Uma Igreja que prega a Palavra, mas que vive a Palavra que prega. Enfim, uma Igreja kerygmática e martírica.
Um dos perigos imediato, e corruptor da natureza da Igreja é termos o melhor conteúdo, o melhor ministério, a mais expressiva Igreja, o mais relevante ensino, mas não termos vida com Deus. Isto nos leva à soberba, orgulho e arrogância. Mata o espírito, mata a fé, destrói a piedade e nos achamos em um vale seco onde nada se move; com estruturas lindas, mas sem vida com Deus; com colunas de mármore mas sem o Espírito Santo.
Paradoxalmente, vida piedosa e espírito quebrantado, com sinceridade e devoção, sem um sólido ensino da Palavra, sem zelo pelas Escrituras, provocará uma enxurrada de ações, em nome de Deus, que não são de Deus. Este é outro perigo imediato, e igualmente corruptor da Igreja: buscarmos a piedade e vida com Deus, sem o temor e ensino da Palavra, produzindo, assim, uma Igreja dinâmica e crescente, mas antropocêntrica e herética. Uma das igrejas que mais cresce em Gana é chamada Igreja do Espírito Santo. É a Igreja mais missionária, evangelizadora e que se envolve com ações sociais. Mas esta Igreja crê que seu fundador é a encarnação do Espírito Santo na terra. Quando ele fala é o Espírito Santo quem fala.
Portanto o desafio que temos é de não partirmos ao meio a nossa eclesiologia. É de termos uma boa doutrina, mas também uma vida piedosa; é conhecermos teologia, mas também praticarmos a fé cristã; é sermos kerygmáticos – que pregam em alto e bom som; mas também martíricos – que adoram o Nome acima de todo nome no secreto da sua casa; é sermos zelosos pelo culto e pelo texto bíblico, mas também colocarmos a mão no arado para o serviço e a missão.
Um dos relatos que mais me desafiou nos últimos tempos foi o testemunho de um juiz federal – por assim dizer – no interior da China. Ele foi preso, acusado de ser um cristão que praticava a evangelização em sua pequena cidade. Para que fosse humilhado publicamente foi levado a pé e algemado por alguns policiais, de sua casa até a central de polícia. Quem observou aquela caminhada testemunhou que todos estavam cabisbaixos, envergonhados e constrangidos pela prisão de um homem de tamanha importância, e muito querido na sua cidade. A multidão por onde ele passava, os soldados que o conduziam, todos cabisbaixos. O único com a cabeça erguida era o juiz cristão, que a medida que caminhava levantava também suas mãos gritando: Eu amo o Senhor Jesus!
DIÁKONA E POIMÊNICA – A IGREJA NASCIDA PARA SERVIR
O verso 45 nos diz que “vendiam suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade”. A expressão original para “à medida que” significa que os irmãos tinham olhos abertos para discernir onde e como poderiam servir.
O conhecimento das Escrituras e verdadeira espiritualidade desembocam no serviço, na missão.
As vezes compreendemos mal o conceito de missão e serviço. Servir a Cristo não é uma questão de desejo, oportunidade ou decisão pessoal. Servir a Cristo é uma questão de obediência. Se você estiver contente em servir ao Mestre, faça isto pela alegria que sente. Mas no dia em que faltarem alegria e prazer, sirva-o pela obediência. Isto porquê servir a Cristo não é um passeio no parque. Demanda, não raramente, morrermos mais e mais para nós mesmos.

Ao nosso redor observamos em um relance ambientes de injustiça, situações de profunda carência humana e desconhecimento do Senhor Jesus. É neste plano que a Igreja é chamada para servir. Para denunciar a injustiça, para saciar a fome daquele que nada tem e para anunciar o precioso Nome de Jesus.
CONCLUSÃO
Voltamos às primeiras palavras. Os elementos da anti-missão – hedonismo e narcisismo – que são expressões da obra da carne,e que nos preterem de sermos a Igreja segundo o coração de Deus.
A inércia que experimentamos não provém do nosso desconhecimento da necessidade humana ou do mandato de Deus, mas sim da nossa falta de paixão deslumbrante pelo Senhor Jesus.
Há no mundo hoje mais de 2.000 povos que não conhecem sobre Jesus. Falam mais de 3.000 línguas e dialetos sem nada da Palavra em seus idiomas. No Brasil temos 121 etnias indígenas ainda pouco ou não evangelizadas, e 95 sem presença missionária. Há mais de meio milhão de ciganos em nossa pátria que não conhecem a Palavra. As tribos urbanas nas grandes cidades relativizam a vida e, ao contrário de se tornarem ateus, passam a crer em tudo. Vivem a procura de um deus utilitário para saciar uma sociedade humanista.
Jim Eliott, mártir entre os Auca no Equador, em uma carta que escrevera à sua igreja na América do Norte, concluiu dizendo: “viva de tal forma, que ao chegar o dia da sua morte, nada mais tenha a fazer para Deus, a não ser morrer”.